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Pedro Rolo Duarte

05
Mar14

Miudagem à solta

Quanto era adolescente, o meu pai entrava no meu quarto por um de dois motivos: para reclamar a máquina de escrever que lhe tinha subtraído para fazer os meus “jornais caseiros”, ou para dar um grito e jurar que nunca mais entraria no quarto enquanto não o arrumasse, arejasse, e garantisse que desaparecia aquilo a que chamava de “pivete” (soma de cigarros fumados, garrafas de cerveja vazias, e hormonas aos saltos, se me faço entender…).
Nesses momentos, com receio de retaliações com maior impacto no dia a dia, eu arrumava o quarto obedecendo ao seguinte “programa de assistência preguiçosa”:


- Cinzeiros limpos e passados por água
- Roupa suja atirada para debaixo da cama
- Papeis em pilhas junto à mesa de trabalho

- Garrafas vazias no lixo
- Porta da varanda aberta durante uma tarde inteira
- Umas folhas de eucalipto (que a minha mãe apanhava no Penedo e deixava secar) queimadas num defumador que deixava um cheiro bom e saudável no quarto


O programa normalmente dava certo - ainda que geralmente resultasse num segundo assalto: o momento em que eu reclamava pela falta de roupa lavada e lá se descobria que estava toda debaixo da cama, por lavar e engomar.

Voltava a levar na cabeça, claro, mas sempre podia dizer "siga!" sem receio de maiores problemas.

E era isto porquê?
Bom, era isto para dizer que este Governo, e a sua relação com a troika e os credores, me lembra a minha adolescência mais que patética. Atira o Carnaval para debaixo da cama, como se não existisse mais, maquilha as contas públicas para manter, na essência, o mesmo quadro de miséria de despesismo publico e contratações amiguistas, e brinca com a governação como se não houvesse amanhã.
O problema é que vai haver amanhã. E vai doer.

Na minha adolescência, era comigo e com os meus pais. Agora, é com eles e connosco. É com todos.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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