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Pedro Rolo Duarte

03
Jan16

O Cáceres

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Foi um dos directores da minha vida. Estar ao lado dele, naqueles meses que antecederam o lançamento da “Visão”, e nos seus primeiros e caóticos anos, foi das mais fortes vivências destes 30 anos de jornalismo. Com alegrias e tristezas, desacordos e momentos de unanimidade - com tudo a que uma profissão que vive de intensidade emocional tem direito.
Eu já sabia o que era a paixão e o entusiasmo e a criatividade nos jornais - com a dupla Portas/Esteves Cardoso -, ainda não sabia o que era a suprema sabedoria da diplomacia com a inteligência (soube-a mais tarde com o Mário Bettencourt Resendes e, depois, com o meu grande amigo Miguel Coutinho), mas faltava-me esta ligação umbilical, que hoje em dia praticamente não existe, entre quem dirige e quem faz. Porque o Cáceres Monteiro era o director que não dispensava o terreno - ou seja, tanto estava a dirigir uma equipa, como estava a partir para Bagdad em reportagem. Fazia ambas as coisas com a mesma humildade e ligeireza - mas também rigor e profissionalismo. O que lhe dava consistência na hora de decidir, e respeito de todos os que liderava.
Vou vendo no Facebook que passam dez anos sobre a sua morte. Os registos e memória são de admiração. Só podiam.
Então lembrei-me desta foto, que tem uma história irrelevante vivida com ele (e não são essas, tantas vezes, as mais relevantes?…). Foi tirada em 1993, numa das nossas idas à Suiça (a “Visão”, nessa altura, era propriedade da Edipresse suíça). Os nossos “patrões” levaram-nos à neve num momento de descontracção de fim de semana. Decidi deixar a minha marca e anunciei que ia desenhar na neve o logotipo da revista. Ninguém reagiu, a não ser o Cáceres:
- Isso vai derreter e daqui a bocado não se vê nada…
E eu respondi-lhe:
- É como o jornalismo, o que fazemos: hoje é importante, amanhã ninguém se lembra…
Felizmente, dez anos depois, o nome do Cáceres não derreteu. Todas as semanas, pela manhã de sábado, eu e o João Gobern o lembramos: foi em sua homenagem que baptizámos o nosso programa de “Hotel Babilónia”. E hoje, um pouco por todo o lado, o nome dele voltou à vida. Foi bom de assistir.

Desta vez ele não teve razão: nem tudo desaparece com o tempo, como a neve a derreter…

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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