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Pedro Rolo Duarte

10
Fev16

“O casaco” (com dedicatória)

Por causa do "Mais Novos Do que Nunca", emissão da Antena 1 que esta semana festeja o seu primeiro ano, e que é dos mais fascinantes e inspiradores programas de rádio que fiz na vida (e olhem que levo mais de 30 anos disto…), recuperei um poema delicioso do brasileiro Manoel de Barros.
Partilho-o, com uma dedicatória: à Joana Jorge, que comigo se apaixonou por este projecto (que eu sinto que é tanto meu quanto dela…), e que vibra e se emociona sempre que temos uma daquelas histórias que dão nó na garganta. E não têm sido poucas…
Como esta, que na semana que vem contamos, e que me remeteu para o velho Manoel de Barros, que faria 100 anos em 2016…

Fica o poema, como se fosse uma vela para apagar:

O casaco

Um homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado
e sujo.
Tentou sair da angústia
Isto ser:
Ele queria jogar o casaco rasgado e sujo no lixo.
Ele queria amanhecer.

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Ladrões de Bicicletas. Voltar a um dos mais clássicos blogues colectivos de análise e pensamento social e político e reencontrar excelentes textos, opiniões pensadas antes de escritas, e o prazer de um bom serão ao sofá a ler. Like.

Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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