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Pedro Rolo Duarte

23
Mai15

O mau padrinho e os afilhados perfeitos

ric e son.jpg

Todos os anos, no dia 1 de Abril, apesar de ser dia das mentiras, eu e a Sónia Morais Santos trocamos nem que seja uma SMS muito verdadeira: faz anos que começámos a trabalhar juntos (ela jovem jornalista vinda duma rádio local), numa pequena empresa que produzia conteúdos e onde nasceu, mais tarde, o DNA. No ano que vem passam 20 anos sobre o dia em que a Sónia entrou pela primeira vez nos escritórios da Pretexto, ali ao Rato, tímida, de camisola com ursinhos bordados, e assustada com tudo, menos com a vida.
Mas essa data é bem menos importante do que outra, que ocorreu quatro anos mais tarde: a mesmíssima Sónia, já então jornalista de pleno direito e parte integrante da equipa que fez do DNA o sucesso que ele foi, casava com o amor da sua vida, o Ricardo, que conheceu ali nas escadas no DN. Eu vi aquele amor nascer e tive a felicidade de ser convidado para apadrinhar o casamento deles.
Os anos passaram. Hoje, a Sónia Morais Santos é reconhecidamente uma talentosa escritora, jornalista, blogger e radialista. Tenho um orgulho infinito nela - e nunca deixo de referir o seu exemplo para testemunhar que neste mundo de merda há gente que sobe apenas pelo seu trabalho. A Sónia é um desses casos: respondeu a um anuncio que publiquei no jornal e foi escolhida por mérito, sem padrinhos nem apelidos. Chegou onde chegou exclusivamente pelo seu talento, paixão, dedicação, entrega - e seguramente, também, pelo amor do Ricardo e o equilíbrio que este feliz encontro lhe deu.
Hoje, a Sónia e o Ricardo festejam, com os seus quatro filhos, família, e amigos, 15 anos de casamento. E fazem bem em festejar: não apenas é cada vez mais difícil ver casamentos durarem tantos anos, como raros são os que duram COM FELICIDADE DENTRO. É o caso. Não conheço nenhum outro casal, com menos de 50 ano, tantos anos tão consecutivamente feliz…
Sou um padrinho desnaturado que liga pouco aos afilhados - mas vai sabendo, lendo, à distancia, por amigos, nem que seja num telefonema de meia-hora, de quando em quando, com a afilhada, o que a casa gasta. E sei que gasta dedicação, compreensão, humor, sentido de família, e acima de tudo, e à frente de tudo, um enorme, enorme amor.
Repito: não sou um bom padrinho. Mas acreditem que tenho o maior orgulho em ser padrinho deste casal que me alimenta esperança, me inspira, e me convoca para o que quero também do resto da minha vida.
Sónia e Ricardo: hoje, como há 15 anos, assino por baixo.

(A fotografia é de 1998, festa de aniversário do DN, se bem me lembro o namoro estava no começo, e eu andava fascinado com as máquinas digitais e fotografava tudo o que mexia. Eles mexiam…)

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