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Pedro Rolo Duarte

11
Jul14

O que conta

Há amizades que sabemos como nascem mas não sabemos bem como crescem e ganham raízes que parecem vindas da infância. Como se conhecêssemos aquela pessoa desde sempre. Ganhamos uma intimidade cuja origem é remota, mesmo não sendo, e falamos como se fossemos família. Tenho um caso desses na minha vida e o nome dela é Patricia Muller. Sim, falamos como se fossemos família, mas na verdade conhecemo-nos há menos de dez anos. E o tempo conta? Neste caso, não conta.
Quarta-feira, a Patricia lançou o seu primeiro romance, “Madre Paula”, baseado na história verdadeira da Madre Paula do Convento de Odivelas, amante do Rei D. João V. Quando me convidou para apresentar o livro, fiquei tão honrado quanto estupefacto com o convite, porque ela tem um generoso grupo de amigos e amigas que exerceriam tal função melhor do que eu, até talvez com mais propriedade.
Na véspera do lançamento, passei o serão de volta das notas que escrevo sempre que falo em público (recordando o meu pai, que citava alguém dizendo “o melhor improviso é aquele que se escreve previamente”…).
Lá tomei notas no corpo 18 do word: o que queria dizer, como queria dizer, o que não podia esquecer. Reli partes do livro. Tomei mais notas. Tive mais ideias - o que me obrigou a escolher umas em vez de outras, para não maçar os convidados com mais do que 10 minutos de apresentação. O dia virou.
Como sempre, transpirei nos primeiros cinco minutos na mesa. Depois passou, e parece que nada me escapou naquele momento que eu sabia ser tão importante para a Patricia - logo, igualmente importante para mim. Acho que correu bem.
Mas às 2:38 da madrugada já de quinta-feira, ainda acordado, dei comigo a pensar nisto: a minha maior alegria e satisfação não é o facto do lançamento ter corrido bem, cheio de gente, e com a Patricia feliz. A minha maior alegria e satisfação é ter uma amiga de toda a vida (porém chegada - atrasada! - há poucos anos), que tem um excelente primeiro romance que tanto orgulho me deu apresentar e convictamente elogiar.
O resto é como as gotas de suor que sempre me correm na testa nestes momentos: marcam posição mas não contam para nada.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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