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Pedro Rolo Duarte

30
Mai14

O reverso da medalha

Já não sei se foi aqui, se foi no Facebook, se foi na rádio: em algum lugar em deixei rasgado elogio ao renovado Mercado da Ribeira sob a “batuta” Time Out, e sob o magnifico trabalho dos irmãos Aires Mateus. Não retiro uma linha ao que disse e escrevi, tanto mais que o sucesso popular do espaço sublinha essa fórmula feliz que ali foi encontrada, semelhante à do Mercado de Campo de Ourique - mas, na minha opinião, mais espaçosamente conseguida.
Dito isto, o reverso da medalha: na ânsia de fazer negócio e surfar a onda, nem todos souberam fazê-lo como deve ser. E deixo dois exemplos testados:

  • O “Pizza a Pezzi", que no Principe Real funciona como o nome indica (o cliente escolhe rigorosamente o bocado de pizza que quer, e se forem 126 gramas, é isso que paga e come, e por isso vale a pena…), decidiu inovar na Ribeira com preços e doses fixas. Ou seja, perdeu todo o sentido que tinha, além de ter perdido também a variedade.
  • O "Café de São Bento" corre sérios riscos de assassinar a fama construída ao longo de anos e anos na Rua com o seu nome: na noite em que lá fui o bife do lombo tinha esgotado, o da vazia tem metade do valor, as batatas fritas (um dos ex-libris da casa-mãe) são ali congeladas e sem graça, o pão é daqueles feitos à pressão no forno. O serviço é péssimo. Não tem café. E o conceito familiar e simpático do bar original transforma-se ali num fast-food sem a sabedoria e o talento de quem sabe produzir fast-food.

Em resumo: tudo em forma no conceito e na ideia da nova Ribeira, mas muito pouco cuidado, rigor e orgulho em alguns dos espaços que contribuem para o bolo.
Remate: um café na esplanada Aloma e um pedido razoável, pelo menos à noite - um whisky. Resposta do empregado: “temos álcool, posso trazer-lhe uma imperial”. A acompanhar um café?

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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