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Pedro Rolo Duarte

08
Mai14

Portugal sempre em bom

 

 

 

Foi inaugurado há 3 meses, com pompa e circunstância, o parque de estacionamento Mercado da Ribeira/Cais do Sodré, localizado na Praça D. Luís I. Como tinham decorrido em simultâneo escavações arqueológicas (das quais resultaram uma exposição permanente dentro do próprio parque), as obras demoraram este tempo e o outro, e o jardim da Praça esteve intransitável durante anos.
Mas em Fevereiro tudo ficou bonitinho e lá vimos Fernando Seara e Manuel Salgado, representando a Câmara de Lisboa, na inauguração do parque. Por algumas semanas houve paz naquela praça (paz relativa, que as obras do Mercado da Ribeira não dão sossego a ninguém…).
Mas… Mas à boa maneira portuguesa, aqui há dias a praça fechou novamente. Obras à superfície, agora no próprio jardim. Ou seja, obras à vez. Assim voltou a estar fechado o jardim (parece que vai ser alcatroado e a iluminação renovada) seguindo a lógica portuguesa do tapa e destapa. Os senhores do parque fizeram a sua obra, agora estão lá os senhores da câmara. Articularem-se para fazer tudo em simultâneo e prejudicar o menos possível o cidadão? Na, nop, isso eles ainda não aprenderam…

(Ou antes… tinha razão o tipo que inventou a anedota que li num site brasileiro:
“Dois portugueses estavam trabalhando para o Departamento de Urbanismo. Um escavava um buraco, o outro vinha atrás e voltava a encher o buraco. Trabalhavam de um lado ao outro da rua. Passaram à rua seguinte. Sem nunca descansar, um escavava um buraco e outro enchia o buraco outra vez. Um espectador, divertido com a situação, mas não entendendo o porquê do que eles faziam, foi perguntar ao cavador:
— Estou impressionado com o esforço que os dois põem no trabalho, mas não compreendo por que um escava um buraco e, mal acaba, o parceiro vem atrás e volta a enchê-lo.
O cavador, limpando a testa, suspira:
— Bem, isto realmente pode parecer estranho, porque normalmente somos três homens na equipe. Mas hoje o gajo que planta as árvores telefonou a dizer que está doente”.)

 

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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