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Pedro Rolo Duarte

20
Mar16

Quatro ideias curtas

Uma. No meio do caos que se vive no Brasil, ainda há quem defenda Lula e Dilma. Ou quem consiga descortinar em casos de polícia verdadeiras teorias da conspiração. Devem ser os mesmos que defendem aquele slogan eleitoral que por lá ouvi um dia: "eu roubo, mas eu faço"... Vale tudo. Há algo que me parece evidente: aquela mulher não tem condições para continuar a governar, e aquele homem não pode voltar ao poder. O resto, confesso, é uma enorme balbúrdia que ainda não consegui entender.

Duas. Assisto, sem palavras, ao (também…) caso de polícia que se abate sobre o “Diário Económico” - e que é uma espécie de terramoto “extra” sobre a crise que a imprensa já vive por si - e não consigo deixar de recuar no tempo. Há 30 e tal anos, quando comecei a escrever nos jornais, não imaginava, não acharia possível, nem me passava pela cabeça, que a evolução do mercado jornalístico chegasse onde chegou. No escândalo do DE ou nas vendas miseráveis do DN e do Público. No fim de jornais como The Independent ou no sucesso da Happy e da Cristina. Juro: se tal fosse sequer um cenário, eu teria aplicado à minha vida um plano B (que também tive aos 18 anos.)… Um dia destes conto qual era.

Três. Ainda sobre o Diário Económico: não conheço boa parte das pessoas que lá trabalham. Mas este processo fez-me fixar alguns nomes. E admirar quase todos. A atitude vertical daquela equipa, a forma como enfrentou a miserável actuação dos efectivos responsáveis, a defesa do jornal e a manutenção de mínimos de qualidade na edição, faz de todos eles heróis. Se eu tivesse um jornal, contratava-os. O jornalismo precisa de gente com aquela fibra e aquela garra.

Quatro. Ontem foi dia do pai. Tive a sorte (admito que lhe possa acrescentar algum talento meu, e da mãe - mas que a sorte ajudou, não tenho duvidas…) de criar um filho de que me orgulho, que me surpreende diariamente com o seu talento e qualidade, iniciativa e personalidade, e que ainda por cima tem um feitio cool, diplomático, com quem sabe bem partilhar a vida. Sempre que algum amigo me fala dos dramas e problemas dos filhos, acordo para esta realidade: no meio de tanta coisa que correu ao contrário do que sonhei, posso dizer que tenho um António Maria que correu tão bem, mas tão bem, que muitas vezes nem sei valorizar o bem que tem corrido… Felizmente, há estes dias que me colocam um post-it na testa: “Pedro, olha o tesouro que tens!”. E tenho.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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