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Pedro Rolo Duarte

26
Fev16

Uma noite cheia

palma e godinho.jpg

Já tinha ouvido o disco gravado ao vivo. Conheço as canções todas há anos sem fim. Vi dezenas de concertos de ambos. O que me podia surpreender na noite de ontem, no Coliseu, ao longo de duas horas, com Jorge Palma e Sérgio Godinho?
Aparentemente, nada.
No entanto, tudo. A energia daqueles dois génios (os rapazes não vão para novos, mas estiveram mais de duas horas em palco…); a capacidade de nos contagiarem com o gosto (que se sente) que sentem em cima do palco; a cumplicidade absolutamente genuína - e tantas vezes subtil.. - entre os dois, e deles com os restantes músicos; a proximidade e distância dos universos musicais, quebrada por arranjos e encontros e cruzamentos que tornaram uno o que estava dividido; e por fim, a quantidade de grande canções que cada um deles tem em dezenas de anos de carreira. A soma de tudo isto é um espectáculo único e  inesquecível.
As canções de Sérgio Godinho e de Jorge Palma são, pelo menos para mim, fotografias do álbum da minha vida. Ilustram momentos, marcam acontecimentos, estiveram presentes mesmo quando não chamei por elas. Juntas, vestidas de novo, não deixam de convocar esses momentos - mas acrescentam-lhes pormenores, suaves mudanças de perspectiva, até novas interpretações.
Foram duas horas cheias, vivas, comoventes. Das melhores que a música portuguesa me deu nos últimos anos. Quando cheguei a casa, ainda cheio de sons e emoções, fiquei a pensar na razão de um bocado de uma cantiga do Jorge Palma, que devia ser lema de vida e tantas vezes tenho a tentação de ignorar, por cansaço ou apenas desalento:

“Enquanto houver estrada para andar / a gente vai continuar / enquanto houver estrada para andar / enquanto houver ventos e mar / a gente não vai parar”.

Hoje acordei com esta energia. Acordei bem.

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