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Pedro Rolo Duarte

10
Mar14

Xutos, ano 35


O que releva do concerto dos Xutos & Pontapés no Atlântico, sábado passado:

  • Trinta e cinco anos depois, a energia daquela soma de talentos mantém-se viva, no equilíbrio que a música revela tantas vezes impossível. No mesmo sentido, aqueles que deles gostam são leais e fieis. Eis um dos segredos-duplos do rock, no que tem de melhor.
  • Trinta e cinco anos depois, não perderam a capacidade de fazer canções que ficam no ouvido e fazem sentido cantar no meio da rua.
  • Trinta e cinco anos depois, é evidente o gozo deles - estarem em cima de um palco com a rendição incondicional da plateia - e o nosso: sentirmos que se sentem em casa e nós também.
  • Trinta e cinco anos depois (e sendo certo que eu tenho com os Xutos a relação dura de ter aprendido a gostar, como Pessoa “vendeu”, da coca-cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se…), muitas das suas mais antigas canções fazem, política e socialmente, ainda mais sentido agora. O que não augura nada de bom.
  • Trinta e cinco anos depois, eles continuam a não desiludir quem os segue. Sem deixarem de ser quem são, ou sem existirem em esforço. E isso é notável. Faz lembrar um refrão de uma das suas canções emblemáticas, que de tão verdadeiramente simples, parece sempre impossível:

“Se gosto de ti,
Se gostas de mim,
Se isto não chega
Tens o Mundo ao contrário”.

 

É isto. Mas eles duram há 35 anos e há coisas simples que ficam presas no refrão de uma canção.

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