Quatro coisas (breves) que eu não compreendo mesmo
2. Critica-se José Sócrates, o PS e o seu Congresso, pelo investimento na imagem, no marketing, numa operação de comunicação mediática. Mas quem critica, não deixa de arrasar Manuela Ferreira Leite pela absoluta falta de talento para mediatizar o discurso. Um dia teremos de uniformizar os argumentos para o debate: ou bem que vivemos num regime onde o marketing antecede, comanda e embrulha as ideias, ou então é melhor proibir o marketing político e voltar ao domínio puro das ideias...
3. Os operadores privados de TV andam muito incomodados com o presumível quinto canal generalista. Dizem que não há mercado nem dinheiro para tanta televisão. Mas, ao mesmo tempo, os dois grupos empresariais contradizem-se na prática: um compra o que ainda não detinha no capital da SIC-Notícias, o outro lança o canal TVI-24. Apetece-me reproduzir o grito de guerra que muitas vezes ouvi o António Macedo proclamar na redacção do “Sete”: “Organizem-se!”. Ou não há mercado para mais televisão, ou andam todos a brincar com o tema.
4. A Europa é invocada por tudo e por nada, da esquerda à direita, de cima a baixo. O Presidente Cavaco Silva invocou a Europa para chumbar a legislação sobre o pluralismo na Comunicação Social – e bem, a meu ver – e caiu meio mundo em cima dele porque o debate sobre o conceito de pluralismo na UE não nos interessa nem nos diz respeito. Para lá da lei - e dos seus vícios de origem, que são muitos, a começar nos critérios que definem hegemonia no mercado... -, parece-me meridiano que não se “decidam” em Portugal conceitos e princípios que pelos vistos se pretendem uniformes a 27 países. Além de estapafúrdio, é caro...