... e eu lembro-me deste genial spot publicitário da Nike protagonizado há já uns anos pela selecção do Brasil (que enfim, já foi devolvida à procedência...). Não tenho escondido a minha preferência pela Espanha, mas nada disso invalida o facto: este anuncio deixa-me sempre em extase. Banda sonora, montagem, ideia, ritmo, humor & ironia, eficácia, técnica, se há um spot perfeito, este podia ser candidato ao titulo... Para um bom domingo, eis um bom começo...
Os portugueses falam de si na terceira pessoa do plural. Os portugueses, quando falam deles próprios, dizem “os portugueses” ou “eles” – na betaria dizem “as pessoas” -, sem esquecer quando se referem aos políticos-malandros-todos-iguais-“eles”.
Eu digo “os portugueses” como se não fosse um deles. Carlos Queiroz diz “nós” quando se refere a ele mesmo. Os jogadores da selecção falam do “grupo de trabalho”, terceira pessoa do singular, ele, o grupo.
José Sócrates fala no infinito “querer ganhar... ganhar”.
Um comentador que não percebeu pevas do que escrevi neste outro post fala mesmo do “portuguesinho”, subentendendo-se que ele se considera um “portuguesão” (“do portuguesinho não se espera grande coisa, pois não?”, pergunta ele, o português...).
Noto nos blogues que acompanho diariamente uma atitude que não distingue quem vive aqui de quem vive fora daqui – parece que todos vivemos “no estrangeiro” e olhamos cá para dentro como se isto fosse um aquário cheio de peixe selvagem.
Já estive em almoços que reúnem famílias onde se consegue estar duas horas a dizer mal dos outros, que são afinal eles próprios, que somos afinal todos. Uma coisa tipo “eles se puderem fazem todas as pontes” – e isto era dito por quem planifica pontes logo em Janeiro de cada ano. Se me faço entender.
Hoje dei comigo a fazer bracinhos e ri-me de mim próprio. Gozo os bracinhos, faço bracinhos.
Talvez o nosso problema seja esse: não sabemos conjugar o verbo da pessoa que somos. Quem não sabe falar é como se fosse cego: pode até saber para onde quer ir, mas não sabe como ir.
Como se não bastasse, nem sequer perguntamos o caminho. Porque no fundo, no fundo, nós sabemos. “Eles” é que não sabem.
Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.
Uma boa frase
Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira
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