Novelas, ou a vida real
Em todas estão todos aos gritos. A mentir. Ao telefone. Nunca são filhos de quem são. Mesmo quando se beijam, são beijos roubados. Choram. Insultam. Desconfiam. Batem portas como se fosse sempre a última vez e nunca os automóveis arrancam sem ser de forma radical. Riem nervosamente e desabafam em transe. Quando lamentam, parece que vão morrer de seguida. Quando se escondem, mostram-se.
Este deve ser o maior elogio jamais feito às novelas portuguesas: já não as distingo das outras.
Mudo logo de canal. Não aguento o som carregado de más energias que sempre vem dali. Estou a chegar à fase em que praticamente só aguento programas sobre gastronomia. O defeito deve ser meu.