Quase todos os dias, pequenos e grandes ensinamentos. Gosto de começar o dia a lê-los:
"Muitos de nós pensamos que liberdade é ser capaz de fazer aquilo que queremos, mas a verdade é que não podemos fazer aquilo que queremos. Há leis, físicas e espirituais. Podemos querer voar, mas se saltarmos de um edifício, a lei da gravidade vai-nos certamente boicotar a nossa vontade. Nós temos verdadeira liberdade quando não somos afectados pelas circunstâncias externas. É a libertação feliz que sentimos independentemente do que está a acontecer à nossa volta, ninguém nos move do nosso desejo de nos tornarmos o nosso melhor. Liberdade é a experiência de escolher ser feliz a partir de dentro - e escolher partilhar, independentemente de tudo".
“Boa tarde Pedro, O meu nome é Ana e sou uma web editor de argumentos sobre poker e jogos online. Tive a oportunidade de visitar o vosso site pedroroloduarte.blogs.sapo.pt e gostaria de saber se poderiam estar interessados numa colaboração editorial.
Agradecendo antecipadamente a vossa atenção, apresento os meus melhores cumprimentos”.
Pergunto:
- Quem és tu, Ana?
- Por que chamas “oportunidade” a um click?
- O que é uma colaboração editorial sobre “poker e jogos online”?
- Por que chamas “site” a um blog?
- Porquê eu, que não sei jogar poker e nunca pratiquei jogos online?
- Porquê eu, adepto de matraquilhos, Uno, Monopoly, Trivial Pursuit e Stop?
- Ana, por que me tratas como se eu fosse mais do que um?
- Ana, vês-me em dobro ou é apenas uma sombra a mais?
Enfim, há dias em que tudo segue directo para o lixo. Outros em que fico a pensar nestas esquizofrenias digitais... Hoje foi o dia.
Em 1995, a dupla chamada na RTP de “Joaquins” (Vieira e Furtado), então directores de programas e informação, convidaram-me para coordenar e apresentar um programa chamado “Canal Aberto”, que pretendia, nas palavras deles, ser uma espécie de “Fórum TSF” televisivo. Os temas do dia, em directo, convidados e espectadores por telefone em interacção, uma plataforma de opinião. Para dar força ao dinamismo pretendido, aquela direcção lembrou-se de usar o espaço então libertado pela Casa do Pessoal da RTP, no rés-do-chão do edifício da 5 de Outubro, e abrir o cenário para a rua, à semelhança do que era moda nos programas da manhã da televisão norte-americana. O Mundo ali fora, à mão de semear...
O programa durou pouco tempo mas foi muito gratificante: valeu-me duas nomeações para os Globos de Ouro, abriu caminho a que voltasse à televisão com regularidade, e foi uma primeira experiência de um tipo de programa hoje curricular em todos os canais de informação.
É verdade que o Canal Aberto ficou mais conhecido pelo cenário, e pelas pessoas que apareciam a dizer adeus ou mostrar os filhos na “montra” da 5 de Outubro, do que pelos temas que nós seriamente debatíamos lá dentro. Mas isso é outra história.
Para aqui interessa que, a poucos dias da estreia, o muito baixo pé direito do espaço (que não tinha sido obviamente desenhado para estúdio de televisão), criava sérios problemas de som e imagem, reflexos dos vidros virados para a rua, e todo um sem número de dramas técnicos que ameaçavam inviabilizar o começo na data entretanto anunciada. Andava tudo num virote, mas pouco se avançava: o calor das luzes arrasava a presença no cenário, o som era medíocre, as câmaras não conseguiam flexibilidade no espaço, enfim, todos os dias eu chegava à RTP para mais um ensaio, e os problemas acumulavam-se, aparentemente sem solução.
Dois ou três dias antes da estreia, apareceu no plateau o Luís Andrade (que eu conhecera num divertidíssimo júri do Festival da Canção, outra história para outro dia...). Nem sei qual era, naquele momento, o cargo que ocupava na RTP, mas era respeitado e ouvido como se fosse (e era...) um senador. Com o nervosismo que o caracterizava, e aquela energia e stress contagiantes – a que se somava um entusiasmo que conseguia, no limite, fazer-nos ver a cores um televisor a preto e branco... – parou a olhar para o espaço e começou a disparar perguntas. Cada pergunta era em si um problema – e para todas ele tinha na volta uma solução. Rigorosamente assim. Está calor? “Então e aquele tubo que eu vejo ali não se pode deslocar e arrefecer o espaço onde eles trabalham?”. Uma sombra? “Desliguem aquele projector”. As câmaras não deslizam? “Ponham um tapete xpto”. Ninguém ficou sem resposta.
No fim da sessão, passou por mim e disse: “Oh Pedro, se amanhã achar que não vai estrear daqui a dois dias, telefone-me! Eu venho cá abaixo e ponho o programa no ar”.
Não foi preciso. Entre as soluções do Luís e o entusiasmo para cumprir o objectivo que ali deixou, em dois dias o impossível tornou-se possível.
Foi isto que me ensinou Luís Andrade. Quando se quer muito, tudo se faz. Quando há paixão, não há impossíveis.
Que bom ser esta a memória que guardo dele. É de pessoas assim que Portugal precisa tanto. Precisa tudo.
Se me dissessem que era possível um momento de cinema e musica, apesar de ter tudo a ver com a vida, não ter um personagem, uma voz, uma figura, durante três minutos, e ainda assim ser genial, eu diria que não, não era, não é.
Mas o problema é meu e da minha clássica falta de memória.
Felizmente, há quem por perto me acorde e me recorde a genialidade destes três minutos. Sem uma pessoa a passar, sem uma voz, sem nada mais do que o talento superior da musica e o plano-sequência fatal e absolutamente notável:
Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.
Uma boa frase
Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira
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