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Pedro Rolo Duarte

20
Dez11

A palavra é: culpa

A palavra que mata e esfola o ano 2011. A palavra que é em si pergunta: de quem é a culpa? A quem atribuir responsabilidades pela crise que vivemos, pela tristeza a que chegámos, pela desesperança que vivemos?

Confúcio, pensador que aprecio pela sua ligação à arte do I-Ching escreveu que "O homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros”. Observando Portugal, não poderia estar mais cheio de razão.

O ano teve um culpado no começo, José Sócrates. Continuou com culpados diversos: os mercados, a Grécia, a Alemanha, os especuladores. Mas nenhum destes senhores, entidades, países ou fantasmas se chegou à frente para assumir responsabilidades. No fim, como no começo, parece que a culpa é nossa, de cada um de nós, individualmente, que teremos tido a ousadia e audácia de acreditar, por momentos, no que nos disseram os governantes, os programas dos partidos, os “sinais” da economia. Somos os culpados de termos acreditado nesta gente toda, que agora nos diz que teremos de pagar pelos erros, enganos e mentiras que nos andaram a oferecer envenenada e falsamente.

Experimentem, porém, falar com um deles. Um qualquer. Politico, gestor, banqueiro. Dirá que ía a caminho da missa quando a crise estalou – e que nós, sim, nós, os perdulários, criámos divida, não soubemos poupar, somos uns zeros à esquerda.

Acho que sim. Posso concordar.

De cada vez que votamos e damos a maioria dos votos a quem depois nos trata como culpados pelos crimes que não cometemos, somos uns zeros á esquerda.

De cada vez que permitimos os abusos, os exageros, os atropelos, as aldrabices, os roubos, a corrupção, o “salve-se quem puder” que marcam o tempo que vivemos, somos uns zeros à esquerda.

De cada vez que, em menos de meio ano, esquecemos o mal que nos fez a loucura do oásis onde presumivelmente vivia José Sócrates, e o deixamos tranquilo em Paris sem pelo menos uns insultos na rua, claro que somos uns zeros á esquerda.

Voltaire disse que "Todo o homem é culpado do bem que não fez”. Está tudo dito. Foi assim 2011. A culpa é nossa.

 

(Outras palavras do ano no mundo dos blogues no especial do Sapo dedicado a 2011, aqui ...)

 

2 comentários

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    Regina 21.12.2011

    Esta ideia parecia-me boa, se eu não achasse que aqueles que elegemos, mesmo fora da política, como por exemplo nalguns movimentos associativos ou cooperativos, tantas vezes, parecem-nos um corpo de cidadãos com formação nos assuntos, e acabam por revelar-se um corpo de cidadãoes com propensão para valorizar os seus interesses pessoais em detrimento dos interesses colectivos!
    A mim, falta-me a confiança! Cada vez mais! E quando se perde a confiança, perde-se a vontade, o empenho, o gosto, o espírito de sacríficio, o patriotismo!
    Se eu achasse que emigrar era fugir aos problemas, agora, confesso que emigrar seria ganhar esperança e confiança! Somos um país onde prevalece o Chico-Espertismo, e eu sou burra, pouco esperta ou desperta, para viver neste modo!
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