Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pedro Rolo Duarte

11
Jul12

Do direito à greve

Tenho descoberto nos últimos tempos mais uma característica peculiar (e muito estranhamente ridícula) do nosso mundo social e político: uma greve só é legítima, aceitável, respeitável e defensável quando diz respeito à nossa classe profissional, à nossa tendência política, ou ao jeitinho que nos dá. Fora isso, é oportunista, interesseira, contra os interesses nacionais, ou apenas pouco razoável.

Eu, que até aprendi o materialismo dialéctico logo em 1976, li o “Capital” em 78, e raras vezes concordei com Friedman, sou chamado de neo-liberal (e aqui “chamado” é mais ou menos como “lamentavelmente apelidado”, e aceito porque vem do padrinho do meu filho...).

Mas acho que todas as classes profissionais têm direito à greve, defendo o Serviço Nacional de Saúde (tal como foi criado pelo PS, mas actualizado, por forma a que pague qualquer coisa quem qualquer coisa pode pagar, e pague mais que isso quem mais que isso possa pagar, e nada mais...), e não consigo ver onde está o “crime” de lesa-pátria da paralisação dos médicos.

As greves constituem a forma legal dos trabalhadores fazerem valer as suas posições e reivindicações - já que não podem dar títulos académicos a ministros, terrenos a empresas e negócios a empresários. A lei até aconchega a vida dos cidadãos, garantindo serviços mínimos. Por que raio não se respeita de forma mais linear e básica uma manifestação de classe?

Há coisas, nisto da democracia, que não percebo por que motivo se ignoram. O respeito, sim, o respeito é a mais básica de todas.

2 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Marão 11.07.2012 18:12


    Sugestão para alterar esta insistente classe política:

    - Sistema eleitoral que contemple conjugação com círculos uninominais
    - 99 a 180 deputados no máximo, e acabar com os votos em manada na AR.
    - Ninguém deve poder concorrer fora do distrito ou concelho onde resida ou exerça actividade regular pelo menos nos últimos três anos. Válido para autarquias.
    - Todos os eleitos pelo menos para os mais altos cargos poderem ser considerados, só seriam reconhecidos com bom comportamento moral e cívico, por obrigatórios testes de apuramento de efectiva idade adulta e comprovada sanidade mental.
    - Acabar com o exclusivo das ditaduras partidárias (onde os medíocres afastam os melhores para sobrevivência indigente) na participação e representação política do País, deixando espaço para iniciativas da sociedade civil que contemple participação e representação efectiva, nomeadamente, na AR.
    - Assim, considerar representação política fora da alçada dos partidos, nomeadamente, no parlamento, começando por contemplar o direito a assento por inerência a representantes de organizações sindicais, patronais e outras não estatais com expressão efectiva na sociedade, e ainda por profissões como operários, engenheiros, médicos, professores, jornalistas, trabalhadores, empresários …………….
    - Da obediência aos partidos só entraria gente por eleição mas com ligação efectiva ao eleitor. Regra dos 3 x 33 = 99 deputados. 1/3 Por inerência para autarcas, 1/3 ainda por inerência aos grupos e profissões atrás assinalados e, finalmente, 1/3 para eleitos em nome dos acantonamentos partidários.
    - Deixar uma cota ainda que residual para representação dos considerados analfabetos estruturais à antiga, que se ainda existirem, facilmente podem provar que muito frequentemente possuem mais cultura geral e conhecimentos de vida de que muitos doutores novos que por aí passeiam a ignorância.
    -Reformular o conceito de abstenção, não a confundindo com insondáveis razões de ausência nas urnas. Criar um campo (X) para esse efeito em cada boletim de voto. Esta intransmissível, pessoal e inconfundível opção merece e deve exigir a dignidade de voto validamente expresso. Uma civilizada, consciente e ponderada escolha não pode ser obrigada a ficar na rua em vala comum de incertos. Os nossos deputados, na Assembleia da República, apesar da aviltante disciplina partidária a que se submetem, para se abster tem que marcar presença. Quero lá uma cruzinha para me abster, querendo.
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    Blog da semana

    Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

    Uma boa frase

    Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Mais comentários e ideias

    pedro.roloduarte@sapo.pt

    Seguir

    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2008
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2007
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D