Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pedro Rolo Duarte

19
Fev08

O país que eu vejo é diferente do país que ele vê

Eu, português, 43 anos, sobrevivente a recibos verdes, que todos os meses pago 200 euros de segurança social para viver na maior das inseguranças, que senti a minha qualidade de vida baixar consecutivamente nos últimos anos, não consigo ver o país como o primeiro-ministro José Sócrates vê.
Posso perceber que, da janela do seu quarto, veja Portugal com optimismo, mais emprego, recuperação económica, confiança, bem-estar, segurança. Ele vê, e eu acredito que esteja a ser honesto.
Gostava que percebesse que eu vejo um país bem diferente. Não trabalho para a Sonae nem para o jornal Público. Não sou militante de qualquer partido e até votei no PS nas últimas eleições.
... Mas o país que vejo tem centenas de milhares de desempregados – um número “ligeiramente” superior aos 90 mil postos de trabalho que o Governo terá criado -, não se sente seguro nas ruas nem seguro na saúde, menos ainda na justiça, não me parece confiante nem vê na carteira os efeitos desse extraordinário controlo do défice. Também não vê a despesa pública baixar. Nem o rendimento subir.
(Os números, aliás, têm esse efeito perverso: pode até haver uma galinha para cada dois cidadãos, mas isso não faz de mim proprietário de uma saborosa meia galinha. O “outro” pode tê-la comido inteira...)
Além disso, esse Portugal onde eu vivo ganhou nos últimos anos uma generosa dose de desconfiança sobre os políticos, em geral, e sobre os Governos, em particular – com razões transversais que vão dos Casinos aos Aeroportos, passando pelos cargos públicos a que se sucedem os cargos privados.
Se calhar os portugueses “do lado de cá” da janela de José Sócrates vivem num outro mundo. Mas convém recordar ao primeiro-ministro que, ainda assim, são estes portugueses que votarão daqui a ano e meio. E vão fazê-lo em função do país em que efectivamente sentem que vivem, e não do país em que o primeiro-ministro garante que vive.

São paisagens diferentes, quer-me parecer.

8 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Isabel 19.02.2008 15:11



    Embora, confesso, eu até seja uma pessoa dada a exageros não acho que esteja a exagerar, neste caso, no entanto, óbviamente, é tudo uma questão de opinião, e esta apesar de pessimista, é a minha.
    Gostava que fosse um dos meus exageros habituais, e que viesse a constatar estar enganada, mas, infelizmente estou seriamente convencida que não.
    Quanto a honestidade, eu nunca disse que o Sócrates era honesto, também não disse o contrário, não sei se o senhor é ou não honesto, pois não tenho provas nem de uma coisa nem de outra, o que eu disse foi que, no meu entender, no aspecto estritamente económico, as medidas que tomou eram necessárias.
    Aquilo em que eu acredito nada tem a ver com o Sócrates, nem com o PS, nem com nada do que vejo nesta imitação de fazer politica que existe em Portugal neste momento.
  • Sem imagem de perfil

    JN 19.02.2008 15:44

    A questão da honestidade de Sócrates é retórica.
    A questão ao seu exagero era honesta.
    Asfixiar pela "imitação de política" não é honesto.
    Sobre a inevitibilidade das medidas económicas e financeiras tomadas por esta governação, a minha opinião honesta, é que foi escolhido o caminho mais fácil.
    Honestamente, não é a falta de ar que nos aflige é a falta de recursos.
  • Sem imagem de perfil

    Jeronimo 19.02.2008 19:14

    E qual era o caminho correcto e mais dificil ? Alguem sabe. Eu acho engraçado este pais de peritos em políticas de saúde, de educação, economia, etc. Peritos lestos em dizer que as políticas aplicada são sempre as erradas, apesar de (supostamente) ser a defendida pelos verdadeiros peritos. Mas nunca indicam outros caminhos, para não serem criticadas por sua vez pelos seus pares. O melhor epítome disto é os cartazes do Pcp: repetem constantemente - por uma politica diferente. Mas nunca dizem qual.
  • Sem imagem de perfil

    JN 20.02.2008 06:58

    Não pretendo provocar a ira dos "verdadeiros peritos", mas há caminhos mais inteligentes que muito simplesmente não passam pelos ditos.
    Muito menos pelo que dizem os cartazes do PCP.

    Não passam é certo, pelo caminho da pergunta com resposta feita.
  • Sem imagem de perfil

    Jeronimo 20.02.2008 10:33

    A questão mantém-se. Quais são os caminhos mais inteligentes ? Quais as políticas alternativas ? Com que recursos se executam ? E não venham com soluções fora de prazo como economias planificadas ou afins. Nem com visões vagas e consensuais sem concretizarem como se atingem.
    Se não conseguem responder objectivamente a isto, não insistam em ir pela fé, acreditando que há melhores caminhos sem saberem bem quais.
  • Sem imagem de perfil

    JN 20.02.2008 13:54

    1. regionalização
    2. irc a 10% (5% para quem exporta e 2,5% empresas estrangeiras sem mais condições)
    3. imposto único
    4. privatização da economia
    5. redução do estado a "minímo garantido"

    Por esta ordem.
    A inteligência está na aplicação.
    Não está nos itens.
  • Sem imagem de perfil

    Jeronimo 20.02.2008 16:00

    1 Mais dinheiro dos nossos bolsos para alimentar uma trupe de Albertos J. Jardins, Mendes Botas, Narcisos, Saleiros, Felgueiras, Isaltinos e Valentins
    2. O dinheiro que se deixava de cobrar or IRC em que vir doutro lado. Donde ? Do IRS, do nosso bolso, obviamente.
    3. O problemas não está no modelo de cobrança, está o montante que nos tiram dos bolsos.
    4. Por decreto ? De qualquer forma é a ideia que me parece mais razoável, mas não é de um momento parea o outro.
    5. Quem define o que é o minimo ?
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    Blog da semana

    Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

    Uma boa frase

    Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Mais comentários e ideias

    pedro.roloduarte@sapo.pt

    Seguir

    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2008
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2007
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D