Um homem bom
Foi amizade à primeira vista. Quando conheci o chef Ljubomir Stanisic, há um ano e meio, numa conversa na rádio, percebi imediatamente que por trás daquela aparente rudeza estava um homem bom. E está. Com uma fortíssima história de vida, com talento a rodos, e com uma determinação invencível. Um homem de garra. Convido-vos a ouvi-lo um bocadinho...
Sentes que a guerra te traumatizou?
- Não, sinto-me bem aproveitado, a guerra fez-me bem.
Não percebo como...
- É claro que bateu mal quando era miúdo, mas depois decidi aproveitar o mal para o bem, e tirar partido do que vivi. A guerra fez-me mais forte, duro, fez-me ser como sou. Ensinou-me a defender os meus direitos, a não ter papas na língua, a dizer sempre tudo o que tenho para dizer. Podia ter ficado um “coitado”, a lamentar-me da guerra, mas não... Aquilo aconteceu, tenho saudades de algumas coisas da Jugoslávia, tenho saudades da minha irmã, da aguardente Rakia, dos bons queijos...
O que te mudou foi a guerra ou o confronto com a morte numa idade adolescente?
- A guerra não faz bem a ninguém, claro, mas aquela circunstância toda obrigou-me a ser homem mais rapidamente. Como não tinha pai, tive de ser responsável pela família.
Trabalhavas?
- Aos 15 anos já trabalhava, sim. Trabalhava numa padaria e estudava ao mesmo tempo, quinze horas por dia, dormia pouco, era duro como o caraças! Sustentava a minha irmã e a mãe, tinha ainda uma prima refugiada, estudava de dia, trabalhava de noite. Sabes, andei a afastar as memórias da Jugoslávia durante muito tempo, não queria pensar nisso, evitava, hoje não me lembro de muita coisa, quis e consegui afastar da memória as coisas más...
O resto desta história está na Playboy deste mês. Já saiu, e o facto de ter mulheres lindas não interessa mesmo nada...
