Marc e Eddy
Nunca ouvi falar na jornalista Cláudia Bancaleiro, do Público. Provavelmente, é mais uma estagiária de passagem. Mas a forma como entrou no mais delicado tema que me lembro de ter lido nos últimos tempos é sinal de que temos ali jornalista. Sensibilidade e bom senso. Inteligência e rigor. Saber abordar o que por natureza é quase impossível abordar bem.
O título da noticia é tão arrepiante quanto comovente:
Marc e Eddy ficaram felizes quando souberam o dia da sua morte
O primeiro parágrafo do texto de Cláudia:
"Marc e Eddy Verbessem, gémeos, surdos, de 45 anos, morreram no passado dia 14 de Dezembro na Bélgica. Morreram por que pediram para morrer. Além da sua surdez, descobriram que estavam a perder a visão e que iriam ficar cegos. Saber que em breve deixariam de poder ver-se e assim perder a única forma de comunicação, um código de linguagem gestual criado pelos dois, foi “insuportável”, segundo a família. Na segunda vez que recorreram aos médicos para que lhes fosse concedida a eutanásia, o pedido foi aceite. Mas num país onde a morte assistida é legal, este foi um caso considerado excepcional, já que nenhum dos homens sofria de uma doença terminal ou dor física permanente. É o primeiro caso de eutanásia de gémeos que se conhece no mundo".
Para ler na íntegra aqui. E pensar na coragem e na determinação, na lucidez assombrosa e na paz absoluta, enfim, no que é essencial para que duas pessoas tomem conscientemente esta decisão e os que os rodeiam a respeitem.
Pode haver quem ache abominável – eu acho que revela um patamar superior da civilização. Qualquer opinião, num caso como este, merece respeito. Mas eu não consigo deixar de respeitar, mais do que qualquer opinião, a vontade dos irmãos Marc e Eddy. Juntos agora noutro lado qualquer, nem que seja apenas na memória dos seus próximos.