A sorte de um momento
A fotografia mudou muito com a explosão digital. Nem preciso de chegar ao “Instagram” ou ao “Photoshop” para teorizar sobre o tema e chegar ao lugar-comum do costume: hoje, qualquer um consegue uma fotografia merecedora de espaço em catálogo ou portfólio. Somos todos grandes fotógrafos...
Claro que isto irrita os profissionais, e com razão - porque não é verdade: o talento de um autor está sempre acima da facilidade técnica em obter bons resultados. Está na sua forma de olhar, na intenção, e na busca por um determinado fotograma. Isso carece de cultura, talento, conhecimento e trabalho. Muito trabalho. Basta ver uma fotografia de Inês Gonçalves para perceber o que digo. Ou revisitar os clássicos, felizmente todos online.
Tudo isto para deixar aqui uma fotografia que tirei esta semana, em São Pedro do Estoril, ao meu filho, com uma Nikon D500, já “desactualizada”, sem qualquer espécie de tratamento ou filtro. Gosto muito desta fotografia – mas sou sincero: ela resultou de um feliz acaso que me calhou no caminho. Foi um de muitos disparos. Saiu bem.
Não chamo a isto talento, chamo sorte. Gosto muito da sorte que tive.
Mas sei distinguir a sorte do génio.
