Saída nenhuma
Depois do “nosso português” Baptista na ONU, vem a história de Carlos Mulas Granados, e parece que estamos no domínio da loucura assumida e consagrada. Um dos autores do estudo do FMI sobre Portugal – e este facto é verdadeiro... – é afinal um aldrabão que inventou um pseudónimo feminino para receber umas dezenas de milhares de euros extras da Fundação que ele próprio dirigia. Se se derem ao trabalho de seguir o link e passearem pelas matérias que o jornal El Mundo lhe dedica, vão pasmar com o talento de Mulas Granado.
Mas o que daqui resulta é menos a espuma de um aldrabão encartado, e mais a natureza da condição humana. Ainda há dias entrevistava Miguel Sousa Tavares e ele defendia que a circunstância de os políticos serem mal pagos e em geral mal tratados – seja nos media, seja por extensão nas ruas – explica a má governação que temos. Os bons não querem estar por perto – e restam os carreiristas dos partidos e os oportunistas consecutivos. Miguel tem alguma razão – mas quando nos confrontamos com exemplos como este, de um alto quadro espanhol bem pago e bem colocado, cuja ambição não parece ter limites, é no mínimo prudente perguntarmo-nos se a situação seria diferente caso os políticos fossem bem pagos e respeitados.
O que a História nos tem ensinado é que a ambição da raça humana, salvo raras excepções, não tem limites nem obedece a códigos de ética e moral. Assim sendo, estamos condenados a esta sucessão de espantos, e a pontuais momentos felizes em que as leis e os tribunais cumprem o seu papel.
Ou então, de vez, emigrar para os países nórdicos, onde misteriosamente uma mistura de cultura e educação civicas gerou uma população um pouco mais decente. Fora a fuga, não consigo ver outra saída. Ou antes: vejo saída nenhuma.