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Pedro Rolo Duarte

23
Set08

O preço certo

Aqui há dias, num jantar de amigos, um profissional de uma grande petrolífera, instado pelos presentes a explicar este “fenómeno do Entroncamento” que se traduz na súbita subida do preço dos combustíveis quando o barril aumenta, e na lentíssima descida quando o barril baixa, pediu quatro minutos de atenção e explicou a lógica deste mercado. Começou por antecipar que, mesmo entendendo a sua exposição, todos nós iríamos continuar a ver nas gasolineiras as más desta fita. Ainda assim, resumiu um complexo negócio embrulhado num teia de reacções em cadeia. Eu percebi a explicação dele, de resto corroborada por alguns blogs que sigo na net.

Ontem, começo a ver as reduções dos preços em todas as frentes e fiquei de novo baralhado. Ocorrem-me estas dúvidas...

  • Se é verdade que as descidas agora consumadas resultam da baixa do preço do barril de petróleo, então parece óbvio que podiam ter ocorrido há mais tempo. Alguém vai conseguir quantificar os lucros extra das petrolíferas nos dias que mediaram entre a queda do preço internacional e a “saia justa” em que se sentiram José Sócrates e Manuel Pinho e levaram o Governo a dar sinal de vida?
  • Se é verdade que as descidas foram provocadas por essa pressão do Governo nas diversas intervenções públicas sobre a matéria, estamos perante petrolíferas frouxas? Ou seja, é plausível que numa área de negócio extremamente forte, competitiva, variável e controlada por diversos reguladores, dois ou três discursos televisivos (e talvez uns tantos telefonemas...), mudem o curso do negócio, baixem os lucros, e ofereçam das empresas uma imagem medricas e assustadiça? Como analisam os accionistas das diversas empresas esta sequência de factos?
E por fim...
  • ... Se a convocatória da Deco para a “jornada de protesto” contra as empresas petrolíferas estava directamente relacionada com os preços dos combustíveis, a única atitude que lhe resta, neste momento, é desconvocar o seu ridículo protesto. Entre todos os discursos demagógicos que estas situações sempre convocam, o pior de todos será sempre aquele que exibe de si o que critica nos outros: défice de seriedade e rigor.

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