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Pedro Rolo Duarte

10
Out08

Um silêncio ruidoso

Ministros, oposições, economistas, analistas, palpitadeiros, todos têm uma palavrinha a dizer sobre a crise. Tentam minimizar os danos e aplacar o pânico. Evitam o desespero e o desatino dos investidores, dos clientes dos bancos, dos accionistas das empresas, dos pequenos e médios aforradores. Eu até já vi a Deco dar conselhos sobre o dinheiro depositado nos bancos...

Deixem-me, no entanto, que manifeste estranheza sobre este ponto: até hoje, o “meu” banco – e entretanto dei-me ao trabalho de espreitar os sites dos bancos concorrentes, e encontrei o mesmo cenário... – não entendeu ser necessário dar-me uma palavra sobre a sua condição.

O mesmo banco que me escreve regularmente a exibir uma performance notável e nesse sentido sugerir aplicações de toda a espécie, o mesmo banco que tem um gestor “particular” ao meu alcance, o mesmo banco que se promove e publicita por cada “produto” que inventa, o mesmo banco que me procura por tudo e por nada – agora, que eu esperava dele a palavra de “conforto” que me permitia manter tranquilamente a minha conta corrente, mantém-se calado e distante como se nada se passasse.

Eu não sei com que raio de empresas de comunicação o “meu” banco anda metido – mas a desconfiança sobre o estado do banco onde deposito mensalmente o que ganho cresce à medida que os dias passam e ele não acha que me deve passar, pelo menos, uma palavra de confiança. Pior: eu leio jornais todos os dias, e ainda não ouvi ninguém do “meu” banco dizer publicamente o que quer que seja. Temo o pior.

É verdade que o “meu” banco nunca disse que eu era “dono” dele – mas também nunca deixou de me fazer sentir que sem ele eu era um zero á esquerda...

2 comentários

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    Carlos Duarte 10.10.2008 14:37

    Bem, o homem tem razão... Fora "investir" em bens facilmente transacionáveis (como o clássico ouro), o melhor sítio para ter o dinheiro é num banco - apesar de crise e das falências - ainda mais agora que os mesmos têm uma "espécie" de garantia de Estado.

    Quanto aos empréstimos, eles efectivamente ocorrem, mas a taxas punitivas (daí a Euribor estar a disparar) e algo limitadas em termos de capital. É preciso ter em mente que, nesta altura, os bancos estão desesperadamente a tentarem capitalizar-se par se protegerem do que se antevê seja uma vaga de "defaulting" nos empréstimos. E como estão todos "ao mesmo" (a tentar - literalmente - arranjar maços de notas), a melhor maneira que têm de captar essas mesmas notas é "subornando" os clientes com depósitos a prazo com taxas atractivas.

    Para quem tiver dinheiro, o que faz de melhor neste exacto momento é colocá-lo a render, a prazo, num banco.
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