Comprimidos
Basta, às vezes, abrir um desses livros, para perceber por que ganham pipas de massa os tipos que escrevem os best-sellers de “auto-ajuda”:
“Quando projecta imagens inspiradoras e imaginativas no ecrã da sua mente, começam a acontecer coisas maravilhosas na sua vida. Einstein disse: «A imaginação é mais importante do que o conhecimento». Reserve algum tempo todos os dias, ainda que sejam apenas alguns minutos, para a prática do visionamento criativo. Todos os actos extraordinários começam por ser apenas um sonho”.
... A razão do sucesso é simples: estes autores cumprem a expectativa que temos, escrevem exactamente o que sucede a cada um de nós e aquilo que queremos que nos conforte quando porventura os lemos. Eles estão certos – e na medida em que ajudam, não sou capaz de os criticar.
Confesso: fiquei tranquilo, ontem, quando vi que o texto citado era a recomendação que “me” fazia Robin Sharma para o dia 6 de Fevereiro. Robin Sharma é um mago da auto-ajuda, autor do livro “O Monge que vendeu o seu Ferrari”, que não li porque efectivamente nunca desejei ser monge nem ter um Ferrari. Em rigor, nem sei quem é Robin Sharma – mas não me custa perceber a sua lógica: somos mais felizes quando sentimos que nos compreendem e quando nos identificamos com as palavras que nos dizem. A simplicidade desarma sempre – e afinal, foi a arrogância intelectual de quem nunca quis perceber isto que divorciou a cultura do comum dos mortais.
Vou ler mais algumas recomendações do tal Sharma. O livro que aqui tenho tem uma para cada dia do ano. Como se fosse um comprimido.