A feira
Ontem entrei nos terrenos que foram, na minha infância e juventude, a Feira Popular (local de romagem obrigatória no ultimo dia de aulas do Liceu, todos os anos…), e onde agora, durante esta época natalícia, se montou um improvisado mini parque de diversões, atamancado num chão degradado e até perigoso, pouco asseado e demasiado barulhento. Bom, os putos divertem-se, e isso é que interessa.
Porém, olhando aquele vasto terreno em pleno centro da cidade de Lisboa, e face às notícias de que a Camara de Lisboa tenciona vender aquilo tudo no decorrer do próximo ano (está inscrito no Orçamento da CML), não consegui deixar de pensar em todos os grandes negócios que foram feitos nos últimos anos entre Estado e privados, como não consegui que o meu pensamento fugisse do Estabelecimento Prisional de Évora, como derrapei no BES, e acabei meio zonzo com a imagem de Isaltino…
Resumindo: temo o pior. Não sei se não prefiro aquilo assim, intocado, mesmo que abandonado. Ou transformado em jardim publico. Qualquer coisa menos negócios que daqui a uns anos vão dar noticias de jornal. Más notícias.
(Chegámos a este ponto: o medo de abrir mais um capitulo de miséria e crime leva-nos a admitir que é melhor ficar quieto. Não fazer. Não mexer. Não avançar. Há pior sintoma?)
